Posts filed under 'dear life'
rebecca
“o amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.”
(carlos drummond de andrade)
dos raros amores raros que possuo, rebecca é o lugar mais distante onde meu coração mora. fisicamente. são cinquenta e cinco quilômetros, um pedágio que se paga com dinheiro e um pedágio que se paga com suas maluquices. este último faz com que esta distância pareça uma eternidade e um lugar pouco confortável para se estabelecer um lar.
mas, passada essas barreiras, tudo fica bem e encontrá-la faz-me apaixonar a cada sorriso, a cada careta, a cada abraço e beijinho. seus carinhos me fazem voar e perder os sentidos. aí esqueço como isso tudo começou e então, penso em planos, calendários e se algum dia teremos algum futuro juntos. eu não sei onde seus devaneios a levarão, mas eu vou estar sempre no mesmo lugar. para você não esquecer o caminho quando querer voltar.
ela é maluca e faz vales e montanhas para os meus sentimentos.
creio que esse que seja o charme de rebecca.
Add comment Dezembro 14, 2007
tantas coisas me esperam
o que acontece é que todas as escolhas me escolhem em momentos epifânicos. como quando está de dia, mas as luzes da cidade estão acesas porque está chovendo e nublado e os pára-brisas parecem dançar ritmados com os jazzes que ouço de manhã. e quando olho para frente não enxergo a rua, o engarrafamento, os outros carros. vejo os lugares onde eu gostaria de estar, as pessoas que deveria de amar e as coisas que poderia estar fazendo, mas não estou, não amo ou não faço, ou por falta de tempo, coragem ou por pura preguiça mesmo.
são nesses momentos que eu decido deixar tudo e comprar passagens para viagens, amores e combinações divertidas de cores para os próximos trabalhos.
Add comment Dezembro 7, 2007
estrangeiro
yutaka é o meu primo japonês. que eu não sabia que existia, até ele mandar uma carta perguntando se podia passar um tempo aqui. e apesar de toda revolução que aconteceu em casa, de resolverem ceder o meu quarto para o estrangeiro, eu dormir no sofá, ter chá onde devia ter refrigerante e arroz para o café da manhã, eu gostei.
os costumes são diferentes, mas vivendo com ele me faz relembrar como é o cheiro do mundo. de ter saudades como rotina e conhecer novos lugares, amigos, comidas, abraços e cervejas. sinto falta desse olhar estrangeiro, do deslumbramento que a gente tem quando a cidade respira em línguas que a gente não conhece.
o diálogo entre eu e meu primo é uma mistura excêntrica de inglês e japonês com pitadas suaves de mímicas e onomatopéias. sou um tipo de especialista bizarro em falar com pessoas sem saber a língua. é engraçado. aprendo muitos palavrões. o foda é fazer as mímicas.
Add comment Dezembro 4, 2007
penso que tenho trabalhado demais
tem dias que não tenho voltado para casa. e quando um dia encontra o outro, não sinto o correr das horas e tudo parece uma coisa só e uma semana se passou e não lembro se o que aconteceu foi hoje de manhã, anteontem ou quarta-feira. e nessa correria não há tempo, nem sanidade, para pensar nas sutilezas dos dias, no relógio biológico da poesia cotidiana.
às vezes, penso se isso é necessário. e de vez em quando, me permito passar por alguns esforços, xavecos mal-sucedidos, dores e tropeços para tentar conquistar algumas coisas. mas será que precisa? no mundo inventado, a gente faz o que tem vontade e o que faz bem. não fala com quem não gosta. e o que não quer comer, deixa no cantinho do prato, não pega coletivos em horários caóticos: a gente faz a vida no nosso tempo e vai mais sossegado. ainda lê um livro na viagem. no mundo inventado, o único lugar onde a gente se perde são nos parágrafos compridos demais enquanto a gente se pega divagando em outras belezas.
será que precisa?
Add comment Novembro 29, 2007
chá de jasmim
essa sensação de incompletude é irritante.
quando a bateria do celular fica no último nível, a do ipod no vermelho, o indicador da gasolina piscando e, principalmente, quando algumas expectativas não acontecem. e isso causa uma certa angústia para todos os pequenos defeitos que não repararia se fosse um dia normal (com doses comedidas de quintanares). e a gente se perde e as ruas aparecem na contra-mão e o semáforo fica amarelo e avanço mesmo assim. a tv indica tempo nublado com pancadas de chuva e mau humorzinho para todo o dia.
mas só chove na hora de sair.
e fico com os tênis, meias, barras da calça e quereres enxarcados em um dia que tudo o que mais desejo é ficar em casa, embaixo dos cobertores, assistindo seriados da tv a cabo, segurando uma caneca de chá quente com as duas mãos para aquecer todas as coisas que as enxurradas levaram hoje.
Add comment Novembro 15, 2007
cronópios
os livros são organizados pela cor da capa. na prateleira, eles formam um degradê divertido e criam necessidades. no momento: os com capas amarelas. não é muito prático, mas é mais agradável arco-íris para ser ver todos-os-dias.
o inusitado para fugir da rotina. procurar por caminhos alternativos. rotas de carro para o trabalho e de sorrisos para as rotinas. e buscar alegrias nas pequenas coisas do dia.
outro dia, vi num sebo a edição em espanhol de “história de cronópios e famas” do cortázar. o livro mostra uma maneira da vida ser menos pesada se você for cronópio. a força deles vem da poesia, da rebeldia e do questionamento contra o que é padrão, o que é de costume.
ainda não sabe espanhol, mas a capa é amarela. e o melhor do cortázar transborda poesia e jeitos de viver. assim que classifica os livros.
1 comment Outubro 28, 2007
apresentação.
eu sou tiago. por causa do apóstolo bíblico, que era pescador. eu sou designer e vivo em trilhas sonoras. costumo ouvir jazz para trabalhar de dia e rock para não dormir trabalhando a noite. mpb para os dias de amenidades. gosto do meu trabalho, gosto de pensar que posso fazer um mundo do jeito e das cores que eu quiser, mas escrevo para não perder a poesia dos dias. para registrar as minhas ansiedades. que o que eu quero dessa vida é viver em caóticos centros urbanos e na calmaria de um litoral afastado do nordeste. que quero quatro filhos, um gato e um cachorro feinho desajeitado para a gente olhar com um sorriso inocente enquanto ele corre todo prosa para apanhar um passarinho na varanda. e viver de ar, amigos e amores. eu quero uma casa com janelas grandes e bastante espaço. para praticar jardinagem ecológica celestial. deitar na grama e inventar nomes para as constelações e para as formas das nuvens. escrevo para avisar que eu não sei fazer balisa, mas nunca me perco. e nunca fico: eu quero o mundo e prefiro os temperos fortes e as borboletas no estômago. eu gosto de intensidades. em doses homeopáticas, só as sutilezas da vida de quintana, das ternurinhas de bandeira e da boemia devassa de vinicius. sou saudades dos bons que sairam da minha vida e dos momentos que não vivi.
eu erro. eu acerto. desencontro. descoro. tropeço. levanto. e vou me reconstruindo a cada despedida, a cada beijo.
1 comment Outubro 22, 2007





